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sábado, 28 de fevereiro de 2009

ATÉ QUANDO?

Há sete anos António Guterres demitia-se do cargo de Primeiro Ministro porque não queria que Portugal viesse a cair num pântano político...

Está bem, façamos de conta

Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo. Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos deconta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta quea OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita"(acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações doprocurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.
Mário Crespo, JN


É preciso acrescentar alguma coisa?

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

"CÃO QUE LADRA NÃO MORDE"


Manuel Alegre é um político bem conhecido do panorama Português. Combatente e resistente ao fascismo da ditadura de Salazar, destaca-se também pelos poemas que escreve. É militante do Partido Socialista (PS), mas na última campanha das Presidenciais demarcou-se do Partido, mantendo-se ligado umbilicalmente e como Deputado na Assembleia da República, mas aproveitando todas as oportunidades para criticar o Governo do seu "camarada" Sócrates.
Ontem Manuel Alegre veio criticar a Ministra da Educação pela política que está a praticar no seu Ministério e pela forma como está a enfrentar Sindicatos e Professores. Manuel Alegre demarca-se e distancia-se da forma como este Governo está a gerir este dossier (e outros).
Manuel Alegre, quanto a mim, falou bem. O problema é que numa entrevista que concedeu a Judite de Sousa (Espaço "Grande Entrevista" - RTP1) há cerca de 2/3 meses, já no final, à pergunta se votaria PS nas próximas eleições Legislativas (Governo) mesmo que se mantivessem todas as políticas praticadas (com as quais Manuel Alegre está contra), se votava PS? Ao que Manuel Alegre respondeu: "Sim, sim, votava PS"!
Eu pergunto: para quê tanto barulho se por mais asneiras que o PS faça, apesar de Manuel Alegre volta e meia andar nos telejornais a criticar o Partido Socialista, vai sempre votar neles e contribuir para que tudo continue igual! Que perda de tempo...
Para já nem falar de se ter demarcado do Partido que o elegeu enquanto Deputado, porque Manuel Alegre com o Partido/Movimento que criou nas eleições Presidenciais se fosse a votos nas eleições Legislativas nem um único Deputado elegia... Manuel Alegre é Deputado na Assembleia da República muito graças ao PS!
Muita areia é jogada nos Telejornais para os olhos dos Portugueses... Muita demagogia... Já chega, por favor!
Diz ainda Manuel Alegre que o poder é efémero... É pena os políticos "rascos" em Portugal também não serem... Só se a efemeridade em Portugal durar 30 anos!!!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

5 DE OUTUBRO E A REPÚBLICA


"O 5 de Outubro tem de ser uma fonte de inspiração e de mobilização para todos os Portugueses.
Precisamos de nos mobilizar. Precisamos de despertar as ambições colectivas que fizeram de Portugal uma nação livre e soberana.
Não escondo que vivemos tempos difíceis. Os Portugueses sabem-no, porque vivem essas dificuldades no seu dia-a-dia.
Muitas famílias têm dificuldade em pagar os empréstimos que contraíram para comprar as suas casas.
Há idosos para quem a reforma mal chega para as despesas essenciais.
Há jovens que buscam ansiosamente o seu primeiro emprego.
Há homens e mulheres que perderam os seus postos de trabalho.
Nascem novas formas de pobreza e exclusão social e, em paralelo, emergem chocantes disparidades de rendimentos.
O que é vivido pelos cidadãos não pode ser iludido pelos agentes políticos.
Quando a realidade se impõe como uma evidência, não há forma de a contornar.
Portugal tem registado fracos índices de crescimento económico. Afastámo-nos dos níveis de prosperidade e de bem-estar dos nossos parceiros europeus. Ainda não invertemos a insustentável tendência do endividamento externo.
Persistem profundas disparidades entre as diferentes regiões.
A situação internacional, por outro lado, não é favorável.
Ao elevado preço do petróleo e dos produtos alimentares alia-se o aumento das taxas de juro.
A ineficiência da regulação e da supervisão dos mercados financeiros, que recentemente emergiu nos EUA, e a dimensão da crise que lhe está associada são fonte de grandes preocupações à escala global.
As economias dos países europeus, nossos principais parceiros comerciais, registam um claro abrandamento.
Portugueses
É nestas alturas que se vê a fibra de um povo". -
DISCURSO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA NAS COMEMORAÇÕES DO DIA 5 DE OUTUBRO (05/10/2008)

O cenário é negro, sombrio, mas mesmo assim exponho os seguintes factos ao Sr. Presidente da República:
Todos os deputados que completam 12 anos de função na Assembleia da República, o Estado Português paga pensões vitalícias elevadas. Muitos destes políticos acumulam ainda elevados vencimentos e reformas, provenientes de outras fontes. Contudo, ainda neste contexto, quando terminam as funções, os deputados e governantes têm o direito, de acordo com a Lei que criaram para si próprios, a um subsídio dito de reintegração (com os deputados que saíram da Assembleia da Republica no último acto eleitoral, o Erário Público gastou com esses mais de 2,5 milhões euros em subsídios). Ainda há pouco tempo foi tornado público as despesas de viagens que o Estado tem com os Deputados. Pergunto se o que ganham não lhes chega para essas despesas? Perto de um terço dos parlamentares também não exerce a função de deputado à Assembleia da República em exclusividade, acumulando, nomeadamente, com actividade empresarial ou de advocacia. Levantam-se assim questões sobre a dedicação dos deputados em defesa dos interesses nacionais e, por acréscimo, sobre o eventual tráfego de influências e a defesa interesses particulares, quiçá lesivos para o Estado Português. Acresce ainda que quando não há quórum no plenário da Assembleia da Republica (tal como se verificou no período pré-pascal) basta aos deputados invocar “trabalho político”, para justificar faltas às sessões parlamentares, estabelecendo o regulamento da Assembleia da República que “a palavra do deputado faz fé, não carecendo de comprovativos adicionais”. Note-se contudo que nunca um deputado perdeu o mandato por excesso de faltas injustificadas (ainda que, ao longo dos anos, haja variados casos de parlamentares que ultrapassaram em muito as faltas anuais sem justificação admitidas por lei).
Já há algum tempo perguntei ao Sr. Presidente da República, numa carta que lhe enviei: até quando a demagogia? Quando é que vai haver coragem para mexer onde se deve mexer? Quando é que vai haver coragem para tomar decisões sérias e correctas? Já chega de falar...
NOTA: Dados retirados de artigo universitário